domingo, 15 de março de 2020

As coisas como deveriam ser - Parte 1 - Blowtorch

Lança-chamas M2-2 com sua caixa
Por Laerte Guimarães
 
A arma: lança-chamas

     Reinaugurando as postagens no blog, transfiro para cá minha série As Coisas Como Deveriam Ser.
     Várias figuras lançadas tanto no Brasil quanto nos EUA, só no Brasil ou só nos EUA, concordamos que poderiam ser melhores. O Blowtorch é um bom exemplo: quem quer em campo de combate, selva, urbano deserto ou ártico, um soldado de parece um alvo com todo esse amarelo e vermelho? Céus, o cara é uma marca no campo de batalha!
     E vale lembrar que na Segunda Guerra Mundial esse caras com o tanque de combustível nas costas era alvos preferenciais, pois levavam vários companheiros quando explodiam em campo. Eram chamados de Zippo, em homenagem ao isqueiro.
     O uso do fogo como arma é tão antigo quanto sua descoberta, embora muitos afirmem que isso seja somente especulação. No entanto, flechas flamejantes, fogo grego, e tantos outros artefatos incendiário são constantemente descritos historicamente. 
"Aparato Portátil de Trincheira" da Primeira Guerra Mundias, também conhecido como "Protetor de Chamas" ou Lançador de Chamas". Esta foto aprensenta muitos pontos interessantes, a destacar: 1) Os dois pontos de spray estão em posições opostas, sigificando que a peça toda era colocada dentro ou sobre a trincheira; 2) Não há uma garrafa de pressão visível; 3) a vara e a mangueira são muito pequenas para uma descarga adequada; 4) Os tanques são extremamente grandes e provavelmente muito, muito pesados quando carregados; 5) as mangueiras de descarga à esquerda e à frente do operador tornam impossível escalar e muito difícil andar. Foto AMCCOM Historical Office, American University.
     Os primeiros lança-chamas foram testados por ingleses e alemães na Primeira Guerra Mundial. Mas somente durante a Segunda Guerra Mundial a tecnologia estava realmente disponível, e em cenários adequados, para que um lança-chamas fosse realmente útil como arma de infantaria. 
Teste de lança-chamas pelo Exército do Império Alemão, 1901
     Nas verdade, os alemães começaram a desenvolver os lança-chamas antes do início do conflito de 1914, desenvolvendo e usando muitos modelos. Os lança-chamas foram desenvolvidos como armas de choque para quebrar e penetrar o sistema defensivo de trincheiras. As tropas de choque  empregavam os lança-chamas em conjunto com granadas e armas automáticas, como uma prévia do que seria uma ataque de Blitzkrieg da Segunda Guerra Mundial. Seu primeiro uso data de 1915 pelo Exército Imperial Alemão. Os testes remontam a 1901.
     Dessa forma, é natural que tal arma tivesse feito parte de arsenais de todos os lados na Segunda Guerra Mundial, embora já no começo a experiência anterior tenha munido os alemãs com excelentes modelos de lança-chamas e tropas muito experientes no seu uso.
Lança-chamas M1
Lança-chamas M2-2


     No entanto, os estadunidenses foram seus mais notórios usuários, principalmente na campanha do Pacífico, onde era o método preferencial para desentocar os combatentes japoneses de bunkers quando este insistiam em não sair de lá. É fato, no entanto, que os soldados estadunidenses não pediam muitas vezes para que os combatentes japoneses saíssem ou quiça esperassem muito tempo para fazer logo seu trabalho e ir para o próximo bunker. Foi um período de crueldade de ambos os lados.
Lança-chamas M2A1-2 - Réplica usada em encenações.
     Os EUA não desenvolveram lança-chamas na WWI e nem no período entre guerras, sequer fizeram pesquisas até sua entrada na WWII. Até esse ponto, a Kincaid Fire Extinqisher Co teve 90 dias para desenvolver o M1. Este foi um enorme fracasso, e foi feito um grande investimento em pesquisa e desenvolvimento do segundo modelo, o M2. O M2 acabou sendo o mais marcante lança-chamas do conflito, ainda mais pelo M2-2 ter sido pesquisado e desenvolvido em um período de tempo tão curto pela indústria, universidades, ramos do Exército e várias características foram copiadas de outros países. Muito da informação necessária para compilar toda a história do desenvolvimento se dispersou e foi perdida. Cada um dos poucos livros sobre lança-chamas requerem esforço monumental para recriar a informação.
     Mas voltando ao teatro de operações do Pacífico, foi somente lá que os Marines, encontrando um inimigo altamente determinado e entrincheirado, que o lança-chamas se mostrou a arma mais efetiva para o terreno e o uso tático a que se destina. Os Marines rapidamente desenvolverem a técnica e as táticas de uso, e seu uso foi um sucesso contra os japoneses.
     Na Europa, as distâncias de combate eram muito maiores e com menos vegetação que pudesse ser usada para se esconder. O alcance curto do lança-chamas (o M1 atingia 15 metros, o M2-2, 20 metros), mesmo tendo modelos que podiam ser montados em veículos, o lança-chamas era usado em casos isolados e ficava na retaguarda até que tais casos surgissem. Surpreendentemente, próximo ao fim da guerra, o General Patton descobriu que quando um bunker ficava cercado e um tanque lançava uma pequena rajada de chamas do lado de fora, o alemães se rendiam em massa, diferentemente dos japoneses.

Lança-chamas M3, peça montada em tanques Sherman e Stuart .
Lança-chamas M9-7, com disparador tradicional



Lança-chamas M9-7, com o disparador tardio.
     Os lança-chamas tiverem algum uso na Guerra da Coréia e foram reformulados para serem utilizados, onde o modelo era o M2A1-2, uma versão melhorada do que usavam na WWII. 
   Durante a Guerra do Vietnã surgiu o modelo M9-7, com várias modificações e ampliação do alcance, mas no começo usavam o M2A1-7, que era uma melhoria do M2A1-2 usado na Coréia.
M202 Flash

M202 Flash
     O M9-7 foi o último modelo de lança-chamas em uso no US Army, pois em 1978 eles foram aposentados e substituídos pelo M202 FLASH, um lançador de foguetes incendiários que você deve ter visto no filme Comando Para Matar, com o velho Arnold. Dessa forma, sabe-se que qualquer uso militar por parte dos EUA de lança-chamas depois 1978 é apelo de Hollywood. Vale ressaltar que a aposentadoria desse tipo de arma se deve mais aos cuidados com a opinião pública sobre os danos causados pelo combustível usado, um tipo de napalm, que adere à pele e queima até se extinguir o combustível, do que realmente uma preocupação com o bem estar do soldado que porta o armamento, sendo esta última a razão oficial para findar a carreira de tal armamento no US Army: preservar os soldados do uso de tão perigoso equipamento. Isso não quer dizer que eles não tenham alguns em inventário... para alguma eventualidade.
     Curiosamente, o Brasil ainda desenvolvia lança-chamas em meados dos anos 80, quando ainda tinha uma indústria de defesa em franco desenvolvimento. A União Soviética usou amplamente lança-chamas durante o conflito do Afeganistão nos anos 80 e até hoje equipa seus tanques com esse dispositivo.

O personagem: Blowtorch


File Name: Hanrahan, Timothy P.
Grade: E-4
Birthplace: Tampa, Florida
Primary Specialty: Infantry Special Weapons
Secondary Specialty: Small-Arms Armorer
Blowtorch é altamente familiarizado com todos os dispositivos incendiários militares e com equipamentos de projeção de chamas. Para Blowtorch o uso do fogo é anterior ao arco e flecha. Expert Qualificado: lança-chamas M-7; família M16; Colt 1911Ai; Beretta 92.

O personagem original é colorido. Um baita de um alvo. 

A versão nacional é levemente mais escura que a estadunidense pela diferença do plástico ABS usado, que contém aditivos para a nossa incidência de UV, diferente do hemisfério norte. A outra diferença é o capacete utilizado: no Brasil usou-se o mesmo molde dos capacetes dos demais comandos em ação dos anos anteriores, enquanto nos EUA havia um capacete próprio com inserções onde se podia encaixar a máscara e que podem ser encaradas como lanternas para capacete, muitos úteis para abrir caminho em meio a fumaça de um campo atingido por chamas. Ou se tornar um alvo no meio da fumaça como uma fonte de luz direcional.

A versão dos 25 anos reproduz esses tons. Já a versão POC tem tons mais escuros e opacos, o que o torna mais real, além dos acessórios mais específicos e um fuzil. O machado é o máximo. 

Pensando em tudo isso e vendo como era utilizada a arma durante o Vietnã, optei por  mudar tudo para algo mais urbano, como um uniforme cinza e detalhado em verde acetinado. Isso torna a figura mais próxima ao que realmente deveria ser enquanto um soldado de infantaria, mesmo que portando uma chamada "arma especial". O capacete do Acessory Pack caiu como uma luva, assim como a mochila-tanque. A máscara repintada em preto dá o tem sinistro que alguém que vai torrar seus inimigos deve ter.

      
Lança-chamas -Estrela S.A. 

Blowtorch - Hasbro INC


Blowtorch - Hasbro - 25th Anniversary

Blowtorch - Hasbro - Pursuit of Cobra

Blowtorch - Custom
Blowtorch - Custom

Blowtorch - Custom


Comparação - Tocha (Estrela) à esquerda; Blowtorch, à direita

As três figuras em comparação.

Ref.: The Illustrated Manual of U.S. Portable Flamethrowers, Charles S. Hobson, SCHIFFER PUBLISHING, 2010.

sábado, 7 de março de 2020

O VAMP - Multi-Purpose Attack Vehicle ou, apenas, Jipe de Ataque

O VAMP lançado em 1982


Por Laerte Guimarães

A Segunda Guerra Mundial contribuiu com muitas invenções militares para vencer o conflito, de ambos os lados. Alguns se tornaram ícones, como o Jeep, um veículo leve, multifunção, feito para trafegar em qualquer terreno e ser usado como ambulância, veículo de reconhecimento, veículo armado, veículo leve de combate e um sem número de utilidades. Foi usado pelos EUA e todos os aliados e depois de finda a guerra, girou o mundo. Foram fabricados centenas de milhares para atender as necessidades militares de meio mundo. Mas ficou antigo. E com o tempo, foi necessário criar um novo veículo de múltiplo emprego. 
Jipe Willys M38




M38 adaptado para os Ratos do Deserto

Vale lembrar que o M38 é o Jipe de Aventuras do Falcon, que teve várias encarnações em várias cores.

Jipe de Aventuras do Falcon 2017
Jipe do Falcon 2017 com Falcon Explorador
Vale lembra que "jipe" é o abrasileiramento do termo "jeep" que tem não uma, mas algumas origens prováveis. 
Uma das teorias sobre a origem do nome Jeep (e a tida como original e mais correta) diz que o nome nasceu da sigla GP, de General Purpose (Uso Geral), pronunciadas em inglês, Gee Pee. Quando ainda era um veículo de aplicação exclusivamente militar durante a Segunda Guerra Mundial, os soldados se referiam a ele como "jipi". O vídeo abaixo confirma essa teoria. 


Por conta disso, outra teoria faz menção ao Eugene, the Jeep, personagem do desenho animado Popeye, que não deixava seu companheiro na mão e tinha a capacidade de se teletransportar, vencendo qualquer obstáculo. Eugene tinha um som característico: “jeep, jeep”. 


A terceira corrente para explicar o nome Jeep, vem de uma outra provável sigla: Just Enough Essential Parts – algo como apenas o bastante das peças essenciais, ou apenas partes essenciais, como pode ser apreciado no vídeo abaixo. 


Essa coisa do jipe ser simples, essencial, robusto e de fácil mecânica era requisito para a guerra, tanto para transporte quanto manutenção de campo. Foi uma verdadeira conquista da engenharia que dificilmente será superada, mesmo com a evolução tecnológica. Um Humvee ou seu sucessor tem tantas partes que sua manutenção é muito complicada em campo. Por isso são mais e mais robustos para suportar o combate e voltar para manutenção em oficina.

Mesmo assim, os filmes do M38 durante a guerra são impressionantes e esse abaixo, tentando vender o jipe para o mercado civil, mostram ainda mais utilidades. 


Mesmo com tudo isso, o M38 não tinha como durar para sempre ou suprir as necessidades militares mais modernas e exigentes dos EUA.

Assim, um dia, os EUA adotaram o MUTT.

O M151 Military Utility Tactical Truck (MUTT – Caminhão para Unidade Tática Militar) foi desenvolvido nos anos 50 para substituir o Jeep Willys M38. O contrato de desenvolvimento foi vencido pela Ford Motor Company. O desenvolvimento começou em 1951 e o primeiro protótipo foi completado em 1952. Por dois anos o veículo foi experimentado e testado. A produção começou em 1960. Inicialmente foi produzido pela Ford e, mais tarde, contratos de produção para um melhorado M151A2 foram vencidos pela Kaiser Jeep e AM General. Mais de 100.000 jeeps M151 e suas variantes foram produzidos. Também foi o veículo mais exportado mundialmente, suprindo mais de 100 países, tendo presenciado ação durante a Guerra do Vietnã e outros conflitos militares através do mundo. A produção foi encerrada em 1982 e reiniciada em 1988 para clientes de exportação. Embora já tivesse seu sucessor escolhido e em produção, ainda em 1999 o MUTT ainda era usado pelas forças militares dos EUA e ainda permanece em serviço em mais de 60 países.

M151A1

M151A1 no Vietnã
 O M151 tinha o mesmo layout básico e dimensões de seus predecessores, apesar de ter um design completamente novo e podia ser reconhecido pela grelha horizontal na frente. O para-brisa pode ser dobrado sobre o capô para reduzir a altura do veículo. Tinha uma capacidade de carga de 36kg off-road e pode rebocar trailers leves ou peças de artilharia.

M151A2 no Vietnam
 O veículo acomoda o motorista e três passageiros. Tem uma cobertura de lona removível e cortinas laterais e também tem um cobertura rígida disponível.

Apesar da sua substituição, o MUTT tinha várias vantagens em relação ao HMMWV muito maior e mais pesado, como ser pequeno o suficiente para caber dentro do helicóptero de transporte pesado CH-53.

O MUTT original era equipado com um motor à diesel de 2.3-L, desenvolvendo 71 HP, e uma transmissão manual de 4 velocidades. Possuí tração traseira, mas o eixo frontal pode ser engatado para viajar sobre terreno acidentado. O veículo pode desenvolver boa velocidade em estrada e um guincho pode ser montado na frente.

M151A1 entrou em serviço com mínimas mudanças.

M151A1C vetor de recoilless riffle.

M151A2C armado com M40
M151A1D transportador de munição tática nuclear, carregado com munição de demolição atômica Davy Crockett.
Sistema de arma nuclear tática Davy Crocket. Repare a semelhança com a munição do lançador do Bivouac do GI Joe.
 M718 ambulância de linha de frete com corpo estendido.
M718, Ambulância de campanha
 M151A2 variante equipada com suspensão traseira redesenhada. Houve um grande número de acidentes com a versão original do M151.

M718A1 ambulância de linha de frente. Com uma tripulação de dois, incluindo motorista e atendente médico. Pode carregar 3 macas.
M825 equipado com M40 106 mm recoilless rifle.
M825
M151A2 FAV fast assault vehicle, veículo de assalto rápido. Foi projetado para ser carregado dentro de um CH-53. Este modelo pode carregar armas pesadas, como metralhadoras .50, lançadores automáticos de granadas de 40mm ou mísseis antitanque TOWII.

M151A2 armando com um MK19 de 40mm

M151A2 armando com o TOW II

M151A2 TOW transporte de míssil antitanque, armado com lançador TOW.

M1051 variante para firefighting, para combate. Era usada pelos Fuzileiros Navais, US Marine Corps.

MRC108 variante para controle aéreo avançado, hoje peça de museu.


Mas, mesmo com todo esse sucesso e praticidade, era necessário pensar em um novo projeto, observando mudanças táticas e estratégicas no jeito de guerrear e, assim, protótipos foram criados e testados.

O XR311 foi um veículo militar protótipo originado nos EUA e produzido em números limitados durante os anos 70. Ele foi desenvolvido originalmente como o High Mobility Combat Vehicle, HMCV (Veículo de Combate de Alta Mobilidade). Não confundir com o JGSDF MCV, que por um curto período de tempo foi chamado de HMCV.
O desenvolvimento do XR311 começou como uma iniciativa privada em 1969, com o primeiro de dois protótipos completados em 1970. O veicule desenvolvido como um possível substituto para M151 jeep, já com mais de 10 anos naquela época, depois competindo com outros protótipos como Lamborghini Cheetah e o AM General HMMWV. Como resultado dos testes destes dois protótipos o US Army encomendou mais dez veículos com melhorias ou uma segunda geração de modelo em 1971. 
Destes dez, quatro foram armados com sistemas de misseis TOW para uso em atividade antitanque/AFV (Armored Fight Vehicle, Veículo de Combate Blindado; normalmente um veículo rápido e leve com capacidade anti-blindado); três foram equipados com metralhadoras M2HB para uso em atividade de reconhecimento e três receberam metralhadoras M60 e kits de blindagem para tripulação, prevendo uso em atividades de escolta/segurança. Os testes foram completados em 1972. Foram testados pela 2ª Divisão Blindada. Em 1974 eles foram testados no 2nd Armored Reconnaissance Scout Vehicle Competition, com um número de veículos que incluía o original da FMC Technologies e o da Lockheed Martin. Foi estabelecido que o XR311 com míssil TOW instalado teria um custo de cerca de US$ 50,000.00. O XR311 foi projetado para desempenhar um vasta variedade de atividades, incluindo anti-blindado , patrulha e reconhecimento, comboio de escolta, comando e controle, medvac, polícia militar, porta morteiro, segurança interna e veículo avançado de comunicação de defesa aérea.



Também foi testado como vetor para um RR M40 de 106mm.

O motor ficava na traseira e sobre ele uma capota que servia de bagageiro. tem poucas fotos da traseira e as melhores são, pasmem, do plastimodelo da Tamiya.


O Lamborghini Cheetah foi primeira tentativa da Lamborghini no mundo dos veículos off-road. Ele foi construído sob um contrato da Mobility Technology International (MTI), que por sua vez foi contratada pelos militares dos EUA para desenhar e construir um novo veículo para todo terreno (all-terrain vehicle – ATV). 
O desing básico veio da MTI, e foi descaradamente um cópia do XR311 da FMC, um protótipo desenvolvido para os militares em 1970. Isso resultou em uma ação legal da FMC contra a MTI e a Lamborghini em 1977, quando o Cheetah chegou e foi apresentado no Geneva Motor Show. Dessa forma, o XR311 e o Cheetah podem ser considerados os progenitores do Humvee. Observando e comparando, não há como negar as similaridades.




O Cheetah foi construído em San Jose, Califórnia. Após a construção inicial, o protótipo foi enviado à Sant’Agata tão logo a Lamborghini pudesse fazer os retoques finais. Eles decidiram usar um grande motor à prova d’àgua de 180bhp 5,9L Chrysler, notado na ré, com uma transmissão automática de 3 velocidades. O corpo foi fabricado em fibra de vidro e o espaço interno era suficiente para quatro soldados totalmente equipados além do motorista.
Montar o motor na traseira do veículo deu ao Cheetah características de manobra muito pobres e o motor escolhido não foi potente o suficiente para se adequar ao pesado veículo de 2.042Kg, resultou numa performance geral muito pobre, abaixo do esperado. 

O único protótipo finalizado nunca foi testado pelos militares dos EUA, somente sendo demonstrado a eles pelo seu designer, Rodney Parris. Mais tarde foi vendido para a Teledyne Continental Motors pelo MTI e ainda existe hoje. 

No final, os contrato foi ganho pela AM General e o Humvee. 

A falha do projeto Cheetah, junto aos problemas financeiros da Lamborghini, levou ao cancelamento do contrato com a BMW para seu carro esportivo M1.

A Lamborghini eventualmente desenvolveu o Lamborghini LM002, com um design similar, mas com um motor de 12 cilindros do Lamborghini Countach montado na frente. 
Mas qual dos dois inspirou, realmente  o VAMP?

Observando as características principais, sim, o VAMP é inspirado no Cheetah, mas seria uma versão curta, somente para dois soldados. Por outro lado, um visual mais limpo, chapado, pego direto do XR311. O detalhe do guincho também é do Cheetah e o parabrisa reto e único. No fim, é como se o VAMP fosse um Cheetah A2. 

Vamos falar do VAMP, mesmo, o nosso Jipe de Ataque dos Comandos em Ação.



Detalhando o VAMP, vemos que foi armado com uma metralhadora dupla sobre o que seria a capota do motor, na traseira. O blueprint original, pois o nacional não trazia esse tipo de informação, nos diz que é um conjunto duplo de metralhadoras 7,62mm, o calibre de uma M-60 ou MAG. mas parece pesado demais pra isso. Prefiro achar que é uma .50, ainda mais se compararmos com a arma do Roadblock a ser apresentada poucos anos depois.






O VAMP difere do Cheetah no comprimento total e no formato dos pneus, mas repete o suporte duplo para tanques extras de combustível. A chapa lateral lisa o difere do Cheetah, mas o assemelha ao XR311. O parachoque tubular e o guincho são referência ao Cheetah, assim como o perfil lateral e os encaixes dos pneus para dentro da carroceria.

A escolha do VAMP em vez do XR311 talvez se deva, juntamente, por não ter sido armado para os testes e, assim, poderia ser armado como foi, sobre a capota de onde se localizaria o motor. O XR311 sempre teve seus reparos de armamento em posição centro dentro do que seria o espaço da cabine, entre os tripulantes. Isso faria o brinquedo ser maior, exigir mais espaço. E vale lembrar a regra da época do lançamento de fazer com que a coleção toda, bonecos e veículos, pudesse ser adquirida por menos de 100 dólares e ocupar pouco espaço nos apartamentos modernos do final dos anos 70 e começo dos 80. Menor era melhor. 

De qualquer forma, o VAMP se tornou um molde muito usado. Se tornou mo MKII, nosso Blindado de Assalto, e também o Cobra Stinger. Foi usado para um JIpe do Guile do Street Fighter e remodelado para a coelção dos 25 anos.Foi enormemente customizado pela sua simplicidade e ainda é algo que modificamos e queremos mais.

VAMP MkII, o nosso Blindado de Assalto





Action Force S.A.S. Panther

Cobra Stinger

VAMP MkII Assault on Docks

Desert Striker

Dreadnok Ground Assault 4wd
Perceba que, no Brasil, tivemos o jipe de ataque verde injetado nos dois moldes: o que tem os paralamas lisos e o para-choque tubular simples e o que usa o mesmo do blindado, com a pá sobre o paralamas direito e o para-choque tubular com os faróis de milha.


Ainda sobre o VAMP MkII ou Blindado de Assalto,  seu sistema de armas não encontra paralelo no mundo real, sendo o mais próximo, o sistema de mísseis antitanque instalado no FV201 Striker, um transportador de mísseis antitanque que entrou em serviço no Exército Britânico em 1976, que também pode ser inspiração para o sistema de armas do Snow Cat, o nosso Tigre Blindado.

FV-102 Striker


Seu piloto é o personagem Clutch, o perfil do motorista que dirige qualquer coisa e conserta qualquer coisa, mulherengo, desbocado e esperto. 





Talvez o VAMP seja o maior dos acertos em veículos em toda a coleção.